Adaptando
um slogan de 2010 "não, não é por causa de Radiohead" que vou ao Optimus Alive. Irei aliás apenas em um dia. O primeiro. Tal como em 2010 também este ano o evento está esgotado. A fórmula repetiu-se e o método voltou a ser vencedor. Uma banda forte que arrasta uma legião significativa de fãs, não o nego, mas que tem também a "magia" de convencer os outros.
Aqueles que para não ficarem à margem do grupo dizem "ya ya Radiohead" por já terem de facto escutado uma ou outra coisa. Mas se depois alguém pedir um top 5 das melhores músicas engasgam-se logo no número dois.
O "segredo" para o sucesso do Alive passa muito por aqui. O conseguir que o evento, inicialmente destinado a ver e ouvir concertos, tenha sofrido uma transformação com o passar do tempo para um local onde estar na noite de sexta e sábado. Como se fosse uma extensão do Cais do Sodré ou o Bairro Alto.
É o "efeito de contágio" no que ao arrastar de multidões diz respeito e que se verifica sobretudo nos festivais urbanos. E as "regras do social" mandam esquecer a crise não vá um tipo ficar com a imagem de quem não curte festivais.
E depois há quem assista aos concertos a escutar o grupo do lado a falar sobre os planos para as férias. Há quem sorria com a piada que o vocalista acabou de fazer e ao lado estão a partir-se a rir com o não sei quantas a-contar-aquela-vez-em-que-apanhou-uma-bebedeira-na-Zambujeira-do-Mar. E já que falamos no tema e porque não beber agora mesmo mais uma, e depois outra, e mais outra que às 22h já estão caídos a um canto com meio festival ainda por acontecer.
Em relação a Radiohead, nunca fiquei muito impressionado com a coisa. Embora reconheça a qualidade. Para escutar em casa. A pensar na vida. Não que queira duvidar dos méritos da depressão colectiva, o "Karma Police" ao vivo é algo que não seduz, embora defenda que a Kleenex terá perdido aqui uma interessante estratégia de marketing.
A sexta-feira serve para ir até Algés matar saudades do Ian Brown que "encontrei" o ano passado no SBSR num concerto que teve contornos de tragédia. Serve para confirmar se a fama que coloca os Justice entre os melhores
performers da actualidade é real.
E depois para as outras coisas. Como o que está em escuta ali ao lado e que no festival apresenta-se a umas insuspeitas seis horas da tarde, no palco secundário dos palcos secundários. Aeroplane, um dos DJ mais estimulantes da actualidade, e que conta no tema "Without Lies" com a colaboração de Sky Ferreira que o Google afirma ser luso-descendente.
Ver como é para contar como foi.