Em "Cosmopolis", um filme fraco de um realizador forte, há uma frase: "o talento é mais erótico quando é desperdiçado". No "diálogo" que o Morrissey canta em "I Know It´s Over" alguém atira: "If you're so funny, then why are you on your own tonight"?
A crueldade é tão mais interessante quando surge disfarçada de elogio.
19.6.12
17.6.12
Perguntam-me se acho que os laranjas vão aniquilar Portugal
Pá, penso que sim, mas não quero falar sobre política hoje.
15.6.12
13.6.12
Santos
É possível descrever sociologicamente a noite de Santo António em Lisboa numa perspectiva de geo-referenciação. E pronto, podia acabar por aqui o post. Já utilizei palavras de quem percebe muito do assunto. E vocês ficavam desse lado a pensar que aquela frase queria dizer tudo e eu escusava de avançar com a explicação. Mas vou arriscar.
Os alfacinhas, genuinamente alfacinhas, aqueles que residem de facto em bairros de Lisboa, há muito que deixaram de olhar para esta noite como a oportunidade do festão do ano. Organizam-se de outras formas. Alguns preferem antes piscar o olho às oportunidades de negócio. Outros descem as escadas do prédio, andam uns minutos e circulam nos bairros do costume a ver se encontram o pessoal do costume. Bebem uma imperial, põem a conversa em dia. Vão perguntando se já se sabe quem ganhou as marchas. Ainda não, bebe-se mais uma e retoma-se a conversa.
E depois há os outros. Os que vêm dos subúrbios de Lisboa e aterram nesta noite como quem olha uma cidade pela primeira vez. Vão perguntando, enquanto estão na Graça, se o Alto de São João fica muito longe. Ou explicam aos berros ao telefone que estão "junto ao São Jorge" referindo-se ao Castelo e não ao cinema. E que miradouro é este perguntam. É Santa Luzia, respondo. E voltam ao telefone para dizer "pá ao pé do São Luzia". Passam na Sé e dizem que estão "junto à igreja".
Recentemente, a moda entre os suburbanos é o bairro da Bica. Não é difícil a explicação. É o que conhecem de Lisboa. O eixo Bica/Bairro Alto que o resto é ponto de passagem casa-trabalho. Ficam ali a noite toda. Parados no mesmo sítio. De vez em quando tentam vestir a pele de alfacinhas e gritam "yé yé yé a Bica é que é" não fazendo ideia o que representa para quem está no marcha o seu sentimento bairrista e aquele grito em particular. Que enquanto para alguns as marchas são colocar a mão na anca e descer uma avenida para outros são uma convicção profunda. Com meses de preparação. E ansiedade e coração aos pulos.
Ao fim da noite pegam nos seus carros - de que outra forma chegariam à cidade? - estacionados de forma caótica onde calha. Voltam para o Cacém ou o Barreiro bêbedos que nem um cacho. A pensar que gira era aquela com quem dancei o pai da criança. É a recordação que levam de Lisboa. Naquela noite de Santo António. Quinta-feira é dia de trabalho. 09h-18h em Lisboa e ufa que já está na hora de voltar para o IC19. A ver se hoje apanho menos trânsito.
Os alfacinhas, genuinamente alfacinhas, aqueles que residem de facto em bairros de Lisboa, há muito que deixaram de olhar para esta noite como a oportunidade do festão do ano. Organizam-se de outras formas. Alguns preferem antes piscar o olho às oportunidades de negócio. Outros descem as escadas do prédio, andam uns minutos e circulam nos bairros do costume a ver se encontram o pessoal do costume. Bebem uma imperial, põem a conversa em dia. Vão perguntando se já se sabe quem ganhou as marchas. Ainda não, bebe-se mais uma e retoma-se a conversa.
E depois há os outros. Os que vêm dos subúrbios de Lisboa e aterram nesta noite como quem olha uma cidade pela primeira vez. Vão perguntando, enquanto estão na Graça, se o Alto de São João fica muito longe. Ou explicam aos berros ao telefone que estão "junto ao São Jorge" referindo-se ao Castelo e não ao cinema. E que miradouro é este perguntam. É Santa Luzia, respondo. E voltam ao telefone para dizer "pá ao pé do São Luzia". Passam na Sé e dizem que estão "junto à igreja".
Recentemente, a moda entre os suburbanos é o bairro da Bica. Não é difícil a explicação. É o que conhecem de Lisboa. O eixo Bica/Bairro Alto que o resto é ponto de passagem casa-trabalho. Ficam ali a noite toda. Parados no mesmo sítio. De vez em quando tentam vestir a pele de alfacinhas e gritam "yé yé yé a Bica é que é" não fazendo ideia o que representa para quem está no marcha o seu sentimento bairrista e aquele grito em particular. Que enquanto para alguns as marchas são colocar a mão na anca e descer uma avenida para outros são uma convicção profunda. Com meses de preparação. E ansiedade e coração aos pulos.
Ao fim da noite pegam nos seus carros - de que outra forma chegariam à cidade? - estacionados de forma caótica onde calha. Voltam para o Cacém ou o Barreiro bêbedos que nem um cacho. A pensar que gira era aquela com quem dancei o pai da criança. É a recordação que levam de Lisboa. Naquela noite de Santo António. Quinta-feira é dia de trabalho. 09h-18h em Lisboa e ufa que já está na hora de voltar para o IC19. A ver se hoje apanho menos trânsito.
9.6.12
7.6.12
Ambição
Abrir um estabelecimento chamado "Casa dos Caracóis". Depois andar pela cidade a distribuir flyers anunciando "caracóis a 5 euros". Chegavam lá e era um cabeleireiro.
29.5.12
27.5.12
10
Perguntei-lhe o que fazia e ela respondeu criativa. "Então já temos algo em comum", afirmei. Perguntou se eu trabalhava em alguma agência publicitária. Respondi que não. "Mas quando jogo à bola com os amigos costumo ser número 10".
25.5.12
Não entendo o fascínio com aquela música da Miúda "durmo com quem eu quero"
Mas há alguém que durma com quem não quer? Só se for o pessoal que adormece nos transportes públicos.
24.5.12
A SIC transmitiu um programa chamado "O Super Agente"
Fiquei confuso. O Jorge Mendes também está metido naquilo das secretas?
23.5.12
Em escuta ali ao lado
From this perspective, from this position
I have a good grip on both of them
Because I have stayed home
And have learned a little more about my neighbourhood
Which is important
You know, there's a lot of good places to eat
I have a good grip on both of them
Because I have stayed home
And have learned a little more about my neighbourhood
Which is important
You know, there's a lot of good places to eat
22.5.12
21.5.12
Jamor
Para os clubes com ambições modestas o importante é "chegar ao Jamor". Estar ali, fazer parte da festa. O favoritismo e o mediatismo estão do outro lado. Daqueles para quem o importante, mais do que a presença, é "levantar o troféu". Os olhos estão todos nos "grandes" e durante a semana a imprensa dá notícias como "em caso de vitória festa será em Alvalade". Como se do outro lado não existisse o direito a festejos. Ou a sonhar com eles. E depois a bola rola e o jogo começa. E por vezes há momentos de inspiração. Um contra-ataque bem sucedido. Um lance de bola parada. E contra todas as expectativas o mais improvável dá por si com o troféu nos braços. Logo ali esquece os tempos de "seca" e sobe-lhe a ambição à cabeça: "agora é vencer nas competições europeias". A magia da Taça de Portugal é não se tratar de uma competição longa e desgastante onde é premiada a regularidade. São eliminatórias disputadas ao género "perde-sai". E nessas partidas, onde tudo se joga em 90 minutos, o excesso de confiança pode ser aniquilado e a surpresa tomar lugar numa expressão que se designa por "acontecer Taça". E a páginas tantas isto nem é um post sobre futebol.
18.5.12
16.5.12
Acho que o ex-namorado da Adele devia apostar numa carreira na música
Lançava um álbum de canções românticas com o título "atura-a tu".
15.5.12
Paz, pão, povo e liberdade
O hino do PSD parece uma lista das coisas com que o partido pretende acabar.
11.5.12
9.5.12
Em escuta ali ao lado
No Twitter aqui da casa classifiquei Sensible Soccers como o mais genial nome para uma banda da última década. Os cavalheiros tiveram a gentileza de responder e a modéstia de rejeitar o título. Vêm de Coimbra e o EP está à disposição para download. Ali no gira-discos toca "Fernanda".
Errata: Por lapso foi indicada Coimbra como sendo a origem deste projecto. É esquecer isso.
Errata: Por lapso foi indicada Coimbra como sendo a origem deste projecto. É esquecer isso.
8.5.12
7.5.12
Feira do Livro
Um dia ainda vou escutar no meio da lista de sessões de autógrafos: "na banca dos CTT um administrador assina rescisões de contratos".
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