28.12.08

Citando

Há dias, um dos nossos canais televisivos noticiava a perniciosa influência do "aquecimento global" no clima - e no turismo - da Lapónia. Deve ser por isso que não temos notado o célebre fenómeno: à semelhança do Pai Natal, outra celebridade de existência polémica, o maroto fica-se pelo Norte da Escandinávia. No resto da Terra, e para recorrer a um verbo que tento aplicar há décadas, tirita-se de frio.

Tirita-se, por exemplo, na Califórnia e em Las Vegas, coberta de neve. Ou no Canadá, onde se passou o primeiro natal inteiramente branco desde 1971. Ou na Índia, com temperaturas três ou quatro graus abaixo do normal. Ou em Marrocos. Ou, se acaso não repararam, por aqui, com o terceiro Novembro mais frio desde 1931 e um Dezembro que não andará longe do recorde. Ainda mais interessante, os seríssimos jornalistas da CNN já acompanham a expressão "aquecimento global" com risos e aquele gesto das mãos que significa "aspas". Qualquer dia, teremos os media em peso aflitos com o "arrefecimento global", cuja responsabilidade, de uma arrevesada e imaginativa forma, tocará igualmente ao homem.

Será, naturalmente, igual exagero. Não sou perito na matéria. Mas se percebo os poucos peritos que não perderam os últimos anos em sermões transtornados acerca do aumento da temperatura terrestre, das emissões de CO e do Apocalipse, o frio é normal. O calor é normal. As variações são normais. Os extremos "sem precedentes" são normais. Se alguma coisa parece definir o clima é a mudança constante, quase tão constante quanto os pânicos da espécie, no caso do "aquecimento global" varrido por um gelo danado e, sobretudo, por uma crise financeira que os profetas do costume demonstram ser irreversível e fatal. Pelo menos até à fatalidade seguinte.


"Al Gore, Herói da Lapónia", por Alberto Gonçalves, no Diário de Notícias.

26.12.08

Em escuta ali ao lado

Particularmente dedicado a quem, como eu, ainda não descobriu por que raio se festeja o fim de ano. Ou será passagem de ano? São estas dúvidas que dão cabo de mim.

18.12.08

"Dantes trabalhava para dirigentes poderosos mas com tendência para roubar"



O título deste post podia muito bem ser "Rewind 08: Prémio Engolir Sapos". Em Outubro o treinador Jaime Pacheco foi apresentado no Belenenses, entrando com um discurso onde sublinhou o passado do clube e o orgulho de estar ao seu serviço. O que não deixa de ser curioso se tivermos em conta que enquanto trabalhava no Boavista classificou o Belenenses como "um clube de bairro". Restou-me encolher os ombros numa lógica de "valores mais altos se levantam". Entenda-se o festejar vitórias. Coisa que até ao momento apenas fiz uma vez em onze jornadas. Também é uma verdade, e como o vídeo o demonstra, que o Belenenses nem sempre joga contra um adversário em igualdade de argumentos. Esta temporada, pelo menos por três vezes, o ponta de lança do outro lado tinha apito na boca.

16.12.08

Simplex (actualização)



Entrega do Cartão do Cidadão, loja dos Restauradores, terça-feira, 16/12/2008, 12h35.




Entrega do Cartão do Cidadão, loja dos Restauradores, segunda-feira, 15/12/2008, 12h20.





Entrega do Cartão do Cidadão, loja dos Restauradores, sexta-feira, 12/12/2008, 12h00.

14.12.08

Preocupo-me com estas coisas

Actualmente já ninguém fala na criminalidade mas o que é facto é que ainda se sente o medo nas ruas. Por exemplo, não sei se os estimados leitores já repararam, mas ao dirigirmo-nos a uma caixa de multibanco, antes mesmo de iniciar qualquer comunicação, já o boneco está de braços no ar. Numa postura de levem o que quiserem não ofereço resistência. É isto que nós queremos para os nossos multibancos? Este clima de terror? Não percebo por que não há mais gente a falar disto.

10.12.08

Rewind 08: Prémio Vamos Embora Que Isto é Tudo Uma Grande Aldrabice



Na recta final do ano ficou a saber-se que os sucessos que Tony Carreira cantou e assinou já haviam afinal sido interpretados, alguns anos antes, em outras paragens, por outros artistas, nomeadamente da América Latina. Nos comentários ao vídeo é possível observar que há quem diga que tudo não passa de "mera coincidência". De facto, se querem a minha opinião, julgo que as músicas nem são parecidas. Particularmente aquela que pode ser escutada no vídeo entre os 0:40 e os 2:05. Há ali uma semelhança mas é uma coisa muito ténue, quase nem dá para perceber.

7.12.08

Prossegue o espírito de Natal neste blogue

Desta vez com os cumprimentos de Ricky Gervais com um tema de Natal por si interpretado e dedicado aos que mais sofrem neste mundo. Ao que tudo indica a coisa teve apenas gravação em Podcast e caracteriza-se pela sensibilidade colocada na letra, particularmente quando é referido Don't cry, it's Christmas/ Santa's on his way/ Though he's got a billion children/ And he's only got one day/ You've got slightly less than that/ If I were you I'd pray. Em escuta na cabine do DJ.

3.12.08

De vez em quando Lisboa gosta de estar ocupada com estas coisas

Actualmente discute-se a utilização da bicicleta e a construção de ciclovias. Lisboa é assim. Como um grupo de amigos que se junta e um diz "vamos fazer isto" e os outros, entusiasmados, respondem todos "ya ya bora bora". Andam entretidos com aquilo um mês ou dois até que alguém diz que está farto e apontam agulhas para outro lado. Há uma década atrás, ou talvez um pouco mais, o "ya ya bora bora" de Lisboa foram as tabelas de basquetebol. Nasciam nos lugares mais improváveis e por lá se mantinham uns tempos. Entenda-se que "uns tempos" não tem necessariamente de indicar um período razoável. Por exemplo no meu bairro as tabelas não chegaram a durar um mês. Findo esse tempo por lá se manteve o esqueleto que a Câmara montou a coisa mas não parecia muito interessada na sua manutenção. Hoje, desse tempo, não resta uma para contar a história. Aliás, se alargarmos a conversa ao campo dos "playgrounds" a oferta de Lisboa limita-se a três espaços nem por isso exemplos de conservação. No Campo Mártires da Pátria existem duas tabelas, embora apenas uma em funcionamento. Em Monsanto são quatro, mal construídas como tudo mas que para o efeito até servem. Depois em Telheiras, se ainda não desapareceram, existiam lá outras duas. De resto o vazio. Como o "playground" nas traseiras do Fórum Lisboa que do nome só tem a vedação. Nem tabelas, nem balizas. Antes de decidir que o meu joelho ficava mais giro com um ligamento a menos passei diversas vezes pela árdua tarefa de encontrar local para a prática do basquetebol. Abandonando cedo a ideia do "outdoor" olhei para a oferta "indoor". Dos pavilhões municipais, já de si em número reduzido, poucos são os que estão à disposição do munícipe. Ora estão reservados pelas escolas, ora por clubes, ora chove lá dentro, como no caso da Ajuda, e misturar basquetebol com polo aquático nunca foi boa ideia. Enquanto isso já perdi a conta aos anos em que o Carlos Lopes está encerrado. Agora parece ter surgido uma dinâmica de "ya ya bora bora" com as ciclovias. É coisinha para entreter até às autárquicas. E não duvido que vá avante. E que muitos aplaudam, mesmo que depois apenas utlizem a coisa durante as primeiras duas semanas. Há quem olhe para Lisboa e diga que o que faz mesmo falta aqui é a circulação de bicicletas. Respeito. De qualquer forma se escutarem alguém a buzinar atrás de vocês não liguem que sou eu.

1.12.08

Este Natal deixe o George Michael sossegado


Com a chegada de Dezembro aqui o estabelecimento entra no espírito da época e por isso a cabine do DJ é invadida por temas natalícios. O arranque é dado ali ao lado com o primeiro tema vindo de South Park, em jeito karaoke para poderem cantar nos respectivos locais de trabalho, a cargo de Kyle Broflovski. A música é particularmente dedicada ao restaurante "Joshua´s", que apresenta o letreiro "cozinha israelita" seguido, em baixo, de uma árvore de Natal. Que é algo de uma criatividade assinalável. Quase tanto como a estátua do Sá Carneiro, ali no Areeiro, ter estado durante toda a semana rodeada de bandeiras do PCP. Entretanto durante este o mês os posts vão funcionar, sobretudo, numa dinâmica de balanço do ano, através de um Rewind 08. O que é capaz de ser uma coisa engraçada. Ou então uma palermice sem sentido. Mas não andará muito longe de uma destas hipóteses.