26.11.08

Sobre a suspensão da democracia

Sim senhor, parece-me divertido, vamos a isso. Mas julgo que fixar seis meses de tempo limite não é boa ideia. Se permitem a sugestão, por mim suspendia-se a coisa sem data definida até alguém gritar "arrebenta a bolha". Pensem nisso e depois digam qualquer coisa.

25.11.08

O Balcão Perdi a Carteira é uma invenção notável

Sugiro apenas um alargamento da iniciativa. Para o Balcão Perdi a Carteira e Gostava de Saber Quem é o Filho da Puta que a Encontrou e Não é Capaz de Avisar. Ou uma possível variante para Balcão Perdi a Carteira Mas é Também uma Hipótese que a Tenham Roubado e Nesse Caso Gostava de Partir o Foçinho ao Cabrão que o Fez.

23.11.08

Isto é tão óbvio que até faz impressão

(...) Como é que se explica a alguém, convencido da sua santidade eco-visionária, que a bicicleta não faz, nem nunca poderá fazer, parte de uma solução para os transportes públicos de Lisboa? Não se está a dizer que não pode haver ciclovias ou bicicletas, somente que os casos de Amsterdão ou Estocolmo (por exemplo), por serem locais morfologicamente adequadas à bicicleta, constituem apenas duas circunstâncias muito específicas em que esse meio de transporte pode fazer parte das contas de quem tem a responsabilidade de gerir os fluxos das pessoas, mas que Lisboa, por ser feita de ruas estreitas, ingremes, torcidas, por estar no meio de montes e vales, por cá a metorologia variar entre a chuva torrencial, o vento forte ou muito forte (embora sempre sem direcção previsivel), o frio de rachar ou o calor abrasador, nunca permitirá que a faixa de pessoas com possibilidades de incluir a bicicleta da sua estrutura diária de vida não passe de um grupo negligenciável em relação àqueles que nunca o poderão fazer. Esta merda não pode ser muito dificil de entender: sem ser eu, duvido que haja alguém na blogoesfera que consiga subir de bicicleta dos Restauradores ao Príncipe Real sem parar para respirar. Se um percurso tão central à vida da cidade de Lisboa como este só está ao alcance de um gajo com umas pernas espectaculares como as minhas, do que é que estamos a falar quando se pretende falar da hipótese "bicicleta" como meio de transporte significativo e ao qual, portanto, se deve dar vantagem de investimento? A bicicleta, em Lisboa, só pode ser um meio de recreio, como é óbvio, caralhos ma'fodam (eu daqui a pouco passo-me da cremalheira, estou já a avisar). Como instrumento de lazer, faz todo o sentido, por exemplo, duas ou três ciclovias, que atravessem a cidade (pelo afamado corredor verde - onde é que ele anda, por falar nisso?), mas hipotecar a já pouca largura da maior parte das nossas ruas a um capricho ecológico ridículo é um desrespeito para quem ainda tem uma cidade tão mal preparada para fazer circular com a prioridade e conforto necessarios a merda de um autocarro.

Em A Causa Foi Modificada.

21.11.08

Peço desculpa por insistir no tema, mas antes de ir para fim-de-semana há aqui uma coisa que gostava de partilhar


Lucky Soul - "My Brittle Heart"


As descobertas aqui da casa no que respeita a música não significam grande coisa do ponto de vista da inovação. Muitas das vezes dá-se o caso de eu ser o único desgraçado à face do planeta que ainda não tinha descoberto determinado grupo e acabo por andar maravilhado com uma banda que todos os outros já escutaram dois anos antes. Não é esse, contudo, o caso dos Lucky Soul, a banda que à conta da vocalista Ali Howard mudou a minha vida desde a semana passada - e é mesmo verdade tanto que eu até andava meio engripado e já estou melhor com a graça do Senhor - ao preencher um vazio deixado desde que a Ninna Persson mandou os Cardigans à fava e as The Pipettes decidiram mudar de vida. Ao sair para a rua com o intuito de aferir o que o mercado - leia-se a Fnac - tinha à minha disposição sobre a matéria senti por breves minutos na pele o que é isso do pseudo-intelectual-armado-ao-indie que conhece bandas que mais ninguém ouviu falar. Na Fnac questionei a funcionária que desconhecia ao que eu me referia. Ora isto configura, está bom de ver, motivo de entusiasmo e uma óptima terapia para questões de auto-estima no que à música concerne. Não raras vezes dou por mim no Incógnito a perguntar à pessoa do lado "mas o que raio é esta merda que está a tocar" obtendo como resposta, invariavelmente, um "são os The-não-sei-das-quantas não me digas que não conheces". Eu, contrariando o pedido expresso no "não me digas", acabo mesmo por dizer "não". Nesta altura segue-se a explicação "mas isto toca na Radar" que me obriga a confessar, em terreno perigoso para o fazer, "mas eu não escuto muito a Radar". Do outro lado revirar de olhos e eu sinto-me na obrigação de explicar que na verdade as minhas preferências vão no sentido da Baia FM que até tem um programa de madrugada ao estilo discos pedidos do qual sou fã. Ainda na semana passada, pelas três e meia da manhã, uma doméstica de Corroios pediu Antilook, que eram uma girls band da década de 90 da qual fazia parte a Rute Marques, e que tinham um tema muito interessante onde uma das meninas parecia cantar do fundo de um poço. Alguém explique de que outra forma era possível em 2008 eu ainda escutar estas coisas se não fosse o referido programa.
Mas regressando ao tema dos Lucky Soul, lá fui eu até ao computador com a dita funcionária que revelou, para surpresa das surpresas, que existia em Portugal um exemplar do álbum "The Great Unwanted". Chegou a Coimbra em 2007 na zona importação. A simpática senhora não pode garantir que ainda exista. O que leva à necessidade de virar-me para a net. Portugal precisava mesmo era de um choque tecnológico na música. Podia começar pelo IVA e acabava na disponibilização do que de melhor se vai fazendo pelo Mundo. Sobretudo quando em causa estão meninas com a voz da Ali Howard.



PS: Entretanto, nas buscas pela net, fiquei a saber que a banda estará no final deste mês na Galiza, mais concretamente na Corunha. À atenção de quem reside na zona. A menos que considere a coisa fraquita. Nesse caso não vale a pena sair de casa até porque as noites andam frescas.

20.11.08

Tem que ser fã, mas só com ele

Todos aqueles que nos últimos anos andaram a dar lições de patriotismo, discursando sobre que isso da selecção estava acima das simpatias por qualquer treinador, que era uma questão de identidade e rebéubéu pardais ao ninho, são hoje os mesmos que gritam cada golo do adversário com um "toma lá não gostavam do Scolari agora levam com este, é bem feita". É um conceito de patriotismo interessante. Estúpido, sobretudo.

19.11.08

O The Sock Gap feito Simpson





















Respondendo a desafio lançado pela Sam eis a minha versão "Simpsonize". Na verdade gostava mesmo de encaminhar esta corrente era para o Pacheco Pereira. Mas estou cá desconfiado que ele é capaz de não aderir. Assim sendo, e como eu levo isto muito a sério, prefiro manter a coisa viva ao lançar o desafio à Leta, à Luna (diz que ela adora correntes), à Rita e à Pimpinelle. Como podem ver decidi incluir apenas mulheres. Até porque só mesmo um gajo muita paneleiro é que responde a estas coisas. Ainda mais se perder vários minutos a tentar descobrir como se consegue colocar o cabelo castanho. Não tendo sido bem sucedido fica nesta cor meio indefinida. Mas sob protesto, entenda-se.

18.11.08

Em escuta ali ao lado

Por aqui já havia escrito que o vídeo para o primeiro single do mais recente trabalho de Moby poderia muito bem ter saído da cabeça de Quentin Tarantino. Já no que respeita ao segundo single, em escuta ali ao lado, a coisa inclina-se mais para a criatividade de um realizador de filmes pornográficos de baixo orçamento. Certo é que "Last Night" foi uma das boas surpresas de 2008, com um regresso a um Moby mais electrónico, havendo apenas a lamentar o facto de Portugal ter ficado de fora da tour. Depois de "Disco Lies" fica em escuta "Oh Yeah".

17.11.08

Não é minha intenção, uma vez mais, maçar a audiência com os meus problemas

Gostaria, contudo, de partilhar convosco o conceito muito próprio que o Metropolitano de Lisboa tem sobre o que é uma ida e volta. Tem ainda, acrescente-se, uma ideia muito particular sobre o que é isso de "toda a reclamação tem resposta". No passado dia 3 de Novembro entrei na estação Arroios com destino ao Colégio Militar/Luz tendo comprado para o efeito bilhete ida e volta. Mais tarde, enquanto esperava pela chegada da carruagem, escuto aviso que dá conta de circulação interrompida na linha azul entre Baixa-Chiado e Avenida. Sem outra opção, entro na carruagem, saio no Rossio, desloco-me a pé até à Avenida e daí volto a apanhar o Metro com destino ao Colégio Militar/Luz. Depois de tratada a vidinha regresso ao Metro com o bilhete ida e volta. É negado o acesso. "Título inválido" é a indicação da máquina. Solicito esclarecimentos, que é como quem diz fico cerca de 20 minutos numa fila até chegar à fala com a senhora que supostamente presta esclarecimentos, que me faz aguardar mais 10 minutos enquanto telefona para alguém dando conta da situação. Findo o telefonema, dirige-se com ar enfadonho comunicando que "obviamente que está inválido pois já esgotou a opção ida e volta ao sair no Rossio e entrar na Avenida". Tento sensibilizar a senhora para o conceito ida e volta e pergunto-lhe de que forma isso é considerado uma ida e volta, sobretudo quando aconteceu por problemas na ligação entre estações do Metropolitano. Estende impresso e diz "se quiser pode fazer reclamação por escrito mas agora tem de comprar novo bilhete". Numa última e vã tentativa questiono a funcionária se tem consciência de que para todos os efeitos acabou de considerar uma deslocação entre Arroios e Colégio Militar/Luz como uma ida e volta. "Seguinte" com voz estridente foi a resposta obtida. Como cidadão cumpridor que se sente lesado preenchi impresso de reclamação entregue posteriormente na estação Arroios. "Quanto tempo demora a resposta", questiono. "Não sei indicar mas toda a reclamação tem resposta", dizem. Entretanto estamos a 17 de Novembro. Ainda não tive resposta. Gostaria de saber onde me dirigir para remeter o Metropolitano de Lisboa para o caralho. Só ida.

12.11.08

Eu, que sou um desgraçado de um ignorante, ainda não tinha dado pela existência disto


Lucky Soul

Cara Nina Persson, obrigado pela companhia durante estes anos mas agora conheci a Ali Howard. Amigos como dantes.

10.11.08

A sério, ganhem juízo

Juro que acabei de escutar um anúncio na televisão que apresenta a Céline Dion como "a diva da pop".

8.11.08

Lisboa SOS

Em entrevista ontem à SIC o regressado Santana Lopes, em jeito de desafio, manifestou vontade em percorrer ao lado de António Costa as obras que cada um fez. "Tenho a impressão que as dele visitam-se num sábado de manhã", afirmou. E eu tenho cá a impressão que as do Santana despacham-se a um sábado à tarde. O que é bom pois assim ficam ambos com o domingo livre para pensarem em alguma coisa de jeito para fazerem pela cidade.

7.11.08

Triunfar nos States (este não é um post sobre Barack Obama)



Se a palavra Change, por razões políticas, é a mais escutada actualmente nos Estados Unidos, a verdade é que no que respeita ao basquetebol a mudança já dura há uns anos. E pelos vistos a tendência não é para abrandar. A Europa continua a conquistar a NBA, apresentando o senhor que se segue após os êxitos do alemão Dirk Nowitzki, o francês Tony Parker, o russo Andrei Kirilenko ou o espanhol Pau Gasol. A novidade para 2008/2009 surge uma vez mais aqui do vizinho, dá pelo nome de Marc Gasol (irmão do outro) e já conquistou o público de Memphis com as primeiras exibições. Foram seis partidas de luxo com o registo de números que o colocam no mesmo patamar de Shaquille O´Neal, um sucesso que já lhe deu direito a nickname. É o rosto mais recente da mudança que tem vindo a ser observada na NBA, competição que vai aproximando-se cada vez mais de um certo "modelo europeu" de jogo. Acrescente-se, de resto, que o reinado de Marc Gasol não promete ser longo. Talvez o tempo suficiente até à chegada de Ricky Rubio, o jovem espanhol de 18 anos que deliciou os fãs de basquetebol em Pequim. Olé!

4.11.08

Não me interpretem mal, eu até sou um tipo bastante tolerante

Entre os vários episódios memoráveis do "The Office" recordo-me de um em particular onde o Gareth, que tinha acabado de argumentar contra os males de admitir gays no exército, defende-se perante os colegas das acusações de falta de tolerância convidando a que estes olhem para os seus cd´s. Estavam lá Queen, George Michael e Pet Shop Boys. "São todos mariconços", dizia. Faço o mesmo gesto e em caso de dúvida atiro com o meu mp3 para cima da mesa. Tiga, Scissor Sisters, Morrissey. E acrescente-se já agora os senhores que ficam em escuta ali ao lado nos próximos dias. Não existindo nenhum dado sobre a orientação sexual dos elementos dos Cut Copy, o que é facto é que apresentam um arzinho de quem deve ser pouco roto deve.